19.3.12

Rayman Origins


Seria expectável que horas passadas a jogar Rayman Origins permitissem explicar em pormenor de que trata este título lançado para a PS Vita. Infelizmente, não é assim e, após muito tempo de consola em punho, vejo-me forçado a admitir que não faço a mínima ideia do que se passa no ecrã. A leitura do manual (tantas vezes descurada) não ajudou. Qualquer coisa sobre um mundo idílico subitamente atormentado pela invasão de uma dimensão malévola provocada por roncos demasiado sonoros dos ociosos protagonistas. Disparate completo? Sem dúvida. Não que isso deva ser motivo de preocupação pois, insanidade à parte, trata-se de um dos melhores jogos de plataformas não apenas na biblioteca de títulos da PS Vita, mas certamente na história recente de um género há demasiado tempo remetido para aventuras de escassa duração e com resultados de eficácia flutuante.
Se a história absurda e superficial não é defeito, encontrar defeitos reais é tarefa muito complicada. Qualquer captura de ecrã aleatória seria passível de exibição numa galeria dos "jogos que dão vontade de ficar a apreciar a vista em vez de chegar ao fim do nível". As personagens são animadas de forma perfeita em toda a sua apetecível bizarria e variedade. Os cenários são vibrantes e comparáveis em beleza a qualquer coisa que poderia ter saído dos estúdios Disney em dia particularmente inspirado. Mas é impossível ficar a apreciar a paisagem porque haverá sempre inimigos à espreita e obstáculos a ultrapassar em níveis que têm tanto de eficaz como de alucinado, distribuídos por áreas que poderão ir desde uma selva luxuriante, a uma paisagem gélida e escorregadia decorada com gigantescos pedaços de fruta e latas de conserva (alguém desejou alguma vez saltar sobre rodelas de limão espetadas em garfos antropomórficos que berram?), passando por um infernal subterrâneo de lava com motivos de culinária mexicana.
O nível de dificuldade evolui numa suave curva ascendente com recompensas colecionáveis que acabam por ficar para segundo ou terceiro plano num jogo onde o mais importante será sempre a ação (de plataforma em plataforma ou, para variar, debaixo de água e em níveis shoot 'em up alimentados pelo esforço de um mosquito carrancudo). Recompensas mais relevantes serão os poderes especiais concedidos com a conclusão de níveis específicos, permitindo, por exemplo, pairar no ar ou encolher para caber em passagens apertadas.
Se o visual de Rayman Origins é impressionante, as restantes facetas do jogo não o serão menos. Os efeitos sonoros e a música dão um contributo precioso à ambientação e o esquema de controlo, apesar de simples, cumpre com tudo o que se esperaria e permite jogabilidade fluida. O ecrã tátil não serve para muito mais do que para fazer zoom, mas um aumento de funcionalidades táteis dificilmente conseguiria acrescentar algum benefício.
Com a possibilidade de jogar com personagens variadas e com tamanha riqueza de conteúdos, Rayman Origins prova que as plataformas continuam a fazer muito sentido num mundo que parece ter esquecido o prazer proporcionado por um dos géneros mais marcantes na evolução dos jogos modernos. A encontrar uma falha será apenas a total anulação do modo de multijogadores presente nas versões de outras consolas, substituindo-o por uma insípida comparação de tempos de percurso.

Classificação: 

16.3.12

F1 2011


Depois das versões para PC, PS3, Xbox e 3DS, F1 2011 chega à PS Vita numa versão que consegue adaptar-se eficazmente a um formato portátil, mas que não faz muito para ir além da eficácia mínima exigível. Não que isso signifique que estamos perante um jogo mau. Não estamos. A simulação de corridas de Fórmula 1 contém todos os elementos que tornam a modalidade tão popular e tão apetecível tanto para produtores de jogos como para jogadores. Está lá a sensação de velocidade vertiginosa, as curvas apertadas, as retas onde o piloto de sofá poderá acelerar à vontade sabendo que uma eventual saída de pista ou choque apenas ferirá o orgulho. Também lá estão as partidas caóticas com bólides entrechocando-se e tentando escapar da melhor forma ao aperto.
Não será a ausência de opções e modos de jogo a motivar queixas. Desde corridas rápidas para quem não quer perder tempo com preparativos, preferindo passar logo à ação, a corridas pelo melhor tempo, desafios com objetivos específicos e corridas multijogadores. Como não podia deixar de ser, lá está também a coluna vertebral de qualquer simulador de Fórmula 1 que se preze: suculentos grandes prémios completos (incluindo voltas de qualificação) e a possibilidade de participar no campeonato mundial ou de arriscar o exigente modo de carreira. Em qualquer dos modos, é possível eleger qualquer uma das doze escuderias que participaram no campeonato do ano passado e qualquer um dos vinte e quatro pilotos para dominar as dezanove pistas.
É frequente dizer-se que não haverá bela sem senão. Apesar de F1 2011 estar bastante longe de ser uma "bela", os senões são substanciais. Começam logo pela amargura inicial. Depois de uma sequência introdutória magnífica a nível visual e com acompanhamento musical a condizer, os gráficos revelam-se uma desilusão. Não se percebe porquê (a Vita é mais que capaz de honrar os gráficos das consolas onde o jogo se estreou), mas tudo parece baço e demasiado simplista. As pistas estão representadas de forma identificável, mas falta-lhes brilho. Falando em brilho, é sabido que os carros de Fórmula 1 são bastante luzidios, mas serão polidos ao ponto de fazer com que o reflexo dificulte perceber de que cor estão pintados? Igual desilusão repete-se no som. O zumbido obrigatório dos motores lá está, bem como a voz que vai anunciando tempos e posicionamentos na classificação aos ouvidos do piloto, mas de forma tão pouco memorável como os pormenores visuais.
Aos controlos não haverá grande coisa a apontar. Com assistências definíveis nas opções para facilitar manobras ou sem elas, percorrer a pista a grande velocidade nunca é problemático e o esquema de controlo encontra-se perfeitamente adaptado ao formato portátil. Quem esperar que as funcionalidade táteis da consola sejam aproveitadas, pode esperar mais uma desilusão. Um toque no ecrã permite mudar a câmara e é possível configurar o painel traseiro para desempenhar algumas funções dos botões, mas isso dificilmente merecerá louvores pela criatividade.
F1 2011 será um jogo recomendável aos entusiastas do género, sobretudo enquanto a consola dá os seus primeiros passos e a oferta não é ainda a mais variada. Permite alguns momentos bem passados. Mas fica o aviso: quem não quiser ver o ecrã vibrante da PS Vita, um dos seus pontos mais fortes, desperdiçado com os gráficos banais desta conversão de um jogo do ano passado sobre um campeonato do mundo que terminou em Novembro, talvez deva esperar por algo melhor.

Classificação: 
 

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