Seria expectável que horas
passadas a jogar Rayman Origins permitissem
explicar em pormenor de que trata este título lançado para a PS Vita.
Infelizmente, não é assim e, após muito tempo de consola em punho, vejo-me forçado
a admitir que não faço a mínima ideia do que se passa no ecrã. A leitura do
manual (tantas vezes descurada) não ajudou. Qualquer coisa sobre um mundo
idílico subitamente atormentado pela invasão de uma dimensão malévola provocada
por roncos demasiado sonoros dos ociosos protagonistas. Disparate completo? Sem
dúvida. Não que isso deva ser motivo de preocupação pois, insanidade à parte,
trata-se de um dos melhores jogos de plataformas não apenas na biblioteca de
títulos da PS Vita, mas certamente na história recente de um género há
demasiado tempo remetido para aventuras de escassa duração e com resultados de
eficácia flutuante.
Se a história absurda e superficial
não é defeito, encontrar defeitos reais é tarefa muito complicada. Qualquer
captura de ecrã aleatória seria passível de exibição numa galeria dos
"jogos que dão vontade de ficar a apreciar a vista em vez de chegar ao fim
do nível". As personagens são animadas de forma perfeita em toda a sua apetecível
bizarria e variedade. Os cenários são vibrantes e comparáveis em beleza a
qualquer coisa que poderia ter saído dos estúdios Disney em dia particularmente
inspirado. Mas é impossível ficar a apreciar a paisagem porque haverá sempre
inimigos à espreita e obstáculos a ultrapassar em níveis que têm tanto de
eficaz como de alucinado, distribuídos por áreas que poderão ir desde uma selva
luxuriante, a uma paisagem gélida e escorregadia decorada com gigantescos
pedaços de fruta e latas de conserva (alguém desejou alguma vez saltar sobre
rodelas de limão espetadas em garfos antropomórficos que berram?), passando por
um infernal subterrâneo de lava com motivos de culinária mexicana.
O nível de dificuldade evolui
numa suave curva ascendente com recompensas colecionáveis que acabam por ficar
para segundo ou terceiro plano num jogo onde o mais importante será sempre a
ação (de plataforma em plataforma ou, para variar, debaixo de água e em níveis shoot 'em up alimentados pelo esforço de
um mosquito carrancudo). Recompensas mais relevantes serão os poderes especiais
concedidos com a conclusão de níveis específicos, permitindo, por exemplo,
pairar no ar ou encolher para caber em passagens apertadas.
Se o visual de Rayman Origins é impressionante, as
restantes facetas do jogo não o serão menos. Os efeitos sonoros e a música dão
um contributo precioso à ambientação e o esquema de controlo, apesar de
simples, cumpre com tudo o que se esperaria e permite jogabilidade fluida. O
ecrã tátil não serve para muito mais do que para fazer zoom, mas um aumento de funcionalidades táteis dificilmente
conseguiria acrescentar algum benefício.
Com a possibilidade de jogar com
personagens variadas e com tamanha riqueza de conteúdos, Rayman Origins prova que as plataformas continuam a fazer muito
sentido num mundo que parece ter esquecido o prazer proporcionado por um dos
géneros mais marcantes na evolução dos jogos modernos. A encontrar uma falha
será apenas a total anulação do modo de multijogadores presente nas versões de
outras consolas, substituindo-o por uma insípida comparação de tempos de
percurso.
Classificação:
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