16.3.12

F1 2011


Depois das versões para PC, PS3, Xbox e 3DS, F1 2011 chega à PS Vita numa versão que consegue adaptar-se eficazmente a um formato portátil, mas que não faz muito para ir além da eficácia mínima exigível. Não que isso signifique que estamos perante um jogo mau. Não estamos. A simulação de corridas de Fórmula 1 contém todos os elementos que tornam a modalidade tão popular e tão apetecível tanto para produtores de jogos como para jogadores. Está lá a sensação de velocidade vertiginosa, as curvas apertadas, as retas onde o piloto de sofá poderá acelerar à vontade sabendo que uma eventual saída de pista ou choque apenas ferirá o orgulho. Também lá estão as partidas caóticas com bólides entrechocando-se e tentando escapar da melhor forma ao aperto.
Não será a ausência de opções e modos de jogo a motivar queixas. Desde corridas rápidas para quem não quer perder tempo com preparativos, preferindo passar logo à ação, a corridas pelo melhor tempo, desafios com objetivos específicos e corridas multijogadores. Como não podia deixar de ser, lá está também a coluna vertebral de qualquer simulador de Fórmula 1 que se preze: suculentos grandes prémios completos (incluindo voltas de qualificação) e a possibilidade de participar no campeonato mundial ou de arriscar o exigente modo de carreira. Em qualquer dos modos, é possível eleger qualquer uma das doze escuderias que participaram no campeonato do ano passado e qualquer um dos vinte e quatro pilotos para dominar as dezanove pistas.
É frequente dizer-se que não haverá bela sem senão. Apesar de F1 2011 estar bastante longe de ser uma "bela", os senões são substanciais. Começam logo pela amargura inicial. Depois de uma sequência introdutória magnífica a nível visual e com acompanhamento musical a condizer, os gráficos revelam-se uma desilusão. Não se percebe porquê (a Vita é mais que capaz de honrar os gráficos das consolas onde o jogo se estreou), mas tudo parece baço e demasiado simplista. As pistas estão representadas de forma identificável, mas falta-lhes brilho. Falando em brilho, é sabido que os carros de Fórmula 1 são bastante luzidios, mas serão polidos ao ponto de fazer com que o reflexo dificulte perceber de que cor estão pintados? Igual desilusão repete-se no som. O zumbido obrigatório dos motores lá está, bem como a voz que vai anunciando tempos e posicionamentos na classificação aos ouvidos do piloto, mas de forma tão pouco memorável como os pormenores visuais.
Aos controlos não haverá grande coisa a apontar. Com assistências definíveis nas opções para facilitar manobras ou sem elas, percorrer a pista a grande velocidade nunca é problemático e o esquema de controlo encontra-se perfeitamente adaptado ao formato portátil. Quem esperar que as funcionalidade táteis da consola sejam aproveitadas, pode esperar mais uma desilusão. Um toque no ecrã permite mudar a câmara e é possível configurar o painel traseiro para desempenhar algumas funções dos botões, mas isso dificilmente merecerá louvores pela criatividade.
F1 2011 será um jogo recomendável aos entusiastas do género, sobretudo enquanto a consola dá os seus primeiros passos e a oferta não é ainda a mais variada. Permite alguns momentos bem passados. Mas fica o aviso: quem não quiser ver o ecrã vibrante da PS Vita, um dos seus pontos mais fortes, desperdiçado com os gráficos banais desta conversão de um jogo do ano passado sobre um campeonato do mundo que terminou em Novembro, talvez deva esperar por algo melhor.

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