20.12.11

Mario Kart 7

Os motores voltam a rugir no Reino dos Cogumelos e a Nintendo cumpre a tradição de ter sempre um título da série Mario Kart como um dos melhores em cada uma das suas consolas.
Não se pode dizer que haja grandes mudanças desde as versões da Wii e da DS, mas também não eram necessárias. A fórmula está delineada, funciona na perfeição e as inovações não passam muito de alguns ajustes gráficos e de jogabilidade, com especial relevo para os primeiros por se tratar de uma consola capaz de gráficos 3D. Estes ajustes foram adequados e Mario Kart 7 faz justiça a todos os seus antecessores.
A contextualização narrativa não existe, como é apanágio da série. Personagens de ambos os lados do conflito que divide o universo de Mario, das mais emblemáticas às mais insignificantes, esquecem temporariamente as suas divergências para participar em corridas de kart frenéticas sem que alguém se questione acerca do motivo que levará Bowser a permitir que um reles Koopa Troopa lhe passe à frente ou acerca da rivalidade feroz que parece ter-se instalado entre Mario, Luigi, Yoshi e a Princesa Peach.
No início do jogo, é possível escolher entre oito pilotos (menos que os doze da versão Wii e o mesmo número da versão DS, apenas com Koopa Troopa a substituir Wario). Outros tantos poderão ser desbloqueados após completar corridas, mas, sem querer estragar a surpresa ao revelar nomes, será inevitável referir uma muito ligeira desilusão quanto a este aspeto. É verdade que as personagens não alteram em nada a qualidade do jogo e que há algumas bastante surpreendentes, mas onde está Waluigi, por exemplo? Ou Diddy Kong e Dry Bones? Para compensar as ausências, é possível pela primeira vez desbloquear também a utilização do Mii como piloto.
Outra lamúria perfeitamente inócua relacionada com as personagens diz respeito ao sistema de desbloqueamento. Se na DS e na Wii havia pilotos desbloqueáveis com vitórias em corridas de vários níveis de dificuldade, em Mario Kart 7 todos (com a exceção do Mii) exigem vitórias nas provas de 150cc. Ou seja, porque o nível mais elevado em Mario Kart nunca foi para condutores de domingo e agora mais que nunca, isso significará que muitos jogadores nunca chegarão sequer a ver as personagens escondidas.
Não que a dificuldade surpreenda, claro. E também não afastará principiantes ou jogadores casuais, pois as provas de 50cc são perfeitamente acessíveis com prática moderada e as de 100cc exigem apenas mais algum empenho. Mas pilotar em 150cc pode ser uma experiência frustrante e as vitórias exigem a combinação de uma corrida perfeita e de muita sorte, o que as torna muito mais apreciadas (quando se consegue cruzar a meta na primeira posição sem ser atingido por uma carapaça azul nos últimos metros, passando de primeiro a último enquanto um Goomba esfrega um olho).
O lado mais cruel ou mais deliciosamente afortunado de Mario Kart é determinado pelos itens recolhidos aleatoriamente em caixas espalhadas pela pista, auxiliando naqueles momentos em que a habilidade ao volante não é suficiente. Regressam objetos familiares como a casca de banana e as carapaças de tartaruga multicolores (únicas ou triplas), os cogumelos de aceleração, a lula que sabota a visão dos adversários ou os tão apetecíveis Bullet Bill e estrela da invencibilidade. Juntam-se a estes duas novidades retiradas de outros jogos Mario (a cauda Tanooki e a flor flamejante) e um sete vermelho que confere sete itens em simultâneo. Além dos itens, existem ainda moedas cuja recolha permitirá desbloquear novos karts, rodas e planadores. Estes últimos permitem manobrar o kart em momentos aéreos do percurso que, juntamente com os trechos subaquáticos, diversificam a jogabilidade e forçam a uma adaptação aos constrangimentos próprios do meio.
Os gráficos refletem a esperada competência e cuidado da Nintendo, com uma boa articulação entre pistas herdadas de jogos anteriores e pistas novas, além de animações muito convincentes e bons efeitos tridimensionais. A novidade da condução em vista de primeira pessoa com inclinações da consola para girar o volante, no entanto, peca pela aversão do ecrã 3D ao desvio do ângulo ideal.
Além dos diferentes modos de jogo para um jogador (corridas pelo melhor tempo, batalhas de balões e captura de moedas), a longevidade é reforçada por um modo multijogadores muito sólido. Os serviços StreetPass e SpotPass permitem bater tempos de jogadores aleatoriamente encontrados algures pelo mundo e um inteligente sistema de comunidades facilita encontrar grupos de jogadores com corridas minuciosamente personalizadas.
É verdade que Mario Kart 7 é "só" mais um jogo da série, mas precisava apenas de atingir os níveis elevados de jogos anteriores para ser excelente e consegue superá-los em vários aspetos. O último a chegar é um cogumelo podre.

Classificação: 
 

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