Os motores voltam a rugir no
Reino dos Cogumelos e a Nintendo cumpre
a tradição de ter sempre um título da série Mario
Kart como um dos melhores em cada uma das suas consolas.
Não se pode dizer que haja
grandes mudanças desde as versões da Wii e da DS, mas também não eram
necessárias. A fórmula está delineada, funciona na perfeição e as inovações não
passam muito de alguns ajustes gráficos e de jogabilidade, com especial relevo
para os primeiros por se tratar de uma consola capaz de gráficos 3D. Estes
ajustes foram adequados e Mario Kart 7 faz
justiça a todos os seus antecessores.
A contextualização narrativa não
existe, como é apanágio da série. Personagens de ambos os lados do conflito que
divide o universo de Mario, das mais emblemáticas às mais insignificantes,
esquecem temporariamente as suas divergências para participar em corridas de kart frenéticas sem que alguém se
questione acerca do motivo que levará Bowser a permitir que um reles Koopa
Troopa lhe passe à frente ou acerca da rivalidade feroz que parece ter-se
instalado entre Mario, Luigi, Yoshi e a Princesa Peach.
No início do jogo, é possível
escolher entre oito pilotos (menos que os doze da versão Wii e o mesmo número
da versão DS, apenas com Koopa Troopa a substituir Wario). Outros tantos
poderão ser desbloqueados após completar corridas, mas, sem querer estragar a
surpresa ao revelar nomes, será inevitável referir uma muito ligeira desilusão
quanto a este aspeto. É verdade que as personagens não alteram em nada a
qualidade do jogo e que há algumas bastante surpreendentes, mas onde está
Waluigi, por exemplo? Ou Diddy Kong e Dry Bones? Para compensar as ausências, é
possível pela primeira vez desbloquear também a utilização do Mii como piloto.
Outra lamúria perfeitamente
inócua relacionada com as personagens diz respeito ao sistema de
desbloqueamento. Se na DS e na Wii havia pilotos desbloqueáveis com vitórias em
corridas de vários níveis de dificuldade, em Mario Kart 7 todos (com a exceção do Mii) exigem vitórias nas
provas de 150cc. Ou seja, porque o nível mais elevado em Mario Kart nunca foi para condutores de domingo e agora mais que
nunca, isso significará que muitos jogadores nunca chegarão sequer a ver as personagens
escondidas.
Não que a dificuldade surpreenda,
claro. E também não afastará principiantes ou jogadores casuais, pois as provas
de 50cc são perfeitamente acessíveis com prática moderada e as de 100cc exigem
apenas mais algum empenho. Mas pilotar em 150cc pode ser uma experiência
frustrante e as vitórias exigem a combinação de uma corrida perfeita e de muita
sorte, o que as torna muito mais apreciadas (quando se consegue cruzar a meta na
primeira posição sem ser atingido por uma carapaça azul nos últimos metros,
passando de primeiro a último enquanto um Goomba esfrega um olho).
O lado mais cruel ou mais
deliciosamente afortunado de Mario Kart é
determinado pelos itens recolhidos aleatoriamente em caixas espalhadas pela
pista, auxiliando naqueles momentos em que a habilidade ao volante não é
suficiente. Regressam objetos familiares como a casca de banana e as carapaças
de tartaruga multicolores (únicas ou triplas), os cogumelos de aceleração, a
lula que sabota a visão dos adversários ou os tão apetecíveis Bullet Bill e
estrela da invencibilidade. Juntam-se a estes duas novidades retiradas de
outros jogos Mario (a cauda Tanooki e a flor flamejante) e um sete vermelho que
confere sete itens em simultâneo. Além dos itens, existem ainda moedas cuja
recolha permitirá desbloquear novos karts,
rodas e planadores. Estes últimos permitem manobrar o kart em momentos aéreos do percurso que, juntamente com os trechos
subaquáticos, diversificam a jogabilidade e forçam a uma adaptação aos
constrangimentos próprios do meio.
Os gráficos refletem a esperada
competência e cuidado da Nintendo,
com uma boa articulação entre pistas herdadas de jogos anteriores e pistas
novas, além de animações muito convincentes e bons efeitos tridimensionais. A
novidade da condução em vista de primeira pessoa com inclinações da consola
para girar o volante, no entanto, peca pela aversão do ecrã 3D ao desvio do
ângulo ideal.
Além dos diferentes modos de jogo
para um jogador (corridas pelo melhor tempo, batalhas de balões e captura de
moedas), a longevidade é reforçada por um modo multijogadores muito sólido. Os
serviços StreetPass e SpotPass permitem bater tempos de
jogadores aleatoriamente encontrados algures pelo mundo e um inteligente
sistema de comunidades facilita encontrar grupos de jogadores com corridas
minuciosamente personalizadas.
É verdade que Mario Kart 7 é "só" mais um
jogo da série, mas precisava apenas de atingir os níveis elevados de jogos
anteriores para ser excelente e consegue superá-los em vários aspetos. O último
a chegar é um cogumelo podre.
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