A primeira vez tem sempre outro encanto. Não, tenham lá calma que não vamos por aí. Refiro-me à primeira vez que me tornei cliente oficial de uma sala de jogos. Para quem tiver nascido noutro tempo, uma sala de jogos era um sítio mítico, cheio de mesas de bilhar, matraquilhos e máquinas com (adivinhem...) jogos, onde se apanhavam vícios malvados e de onde se vinha sempre a cheirar a tabaco. Eram muito populares quando os ZX Spectrum e os Commodore Amiga eram luxos raros e tinham a particularidade de só permitirem entrada a maiores de 16 anos (ou seja, proibia-se a entrada à clientela mais interessada em usufruir do serviço porque o legislador sempre foi um gajo sádico). Adiante. O meu primeiro jogo numa sala de jogos chamava-se Rastan Saga. De que tratava? Não sei bem. Havia um bárbaro pixelizado que andava para trás e para a frente com movimentos muito pouco fluidos e uns inimigos muito coloridos e variados que se moviam exactamente da mesma forma. Ia-se avançando à espadeirada às criaturas que nos saltavam ao caminho (e que, às vezes, atacavam por trás, as estúpidas), saltava-se sobre uns abismos e uns ribeiros, apanhavam-se umas armas manhosas colocadas em sítios de difícil acesso e... E não sei. Estava tão empenhado naquilo e tão maravilhado com a música e os efeitos sonoros, que pareciam criados batendo com chaves de fendas em tachos, que nem percebi que havia um mutante verde ali mesmo ao lado e morri. Foi curto, mas as primeiras vezes costumam sê-lo. E não custou quase nada. Só uma moeda de 50 escudos.
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