10.5.12

Minecraft

A primeira coisa que deve ser dita acerca desta versão de Minecraft que agora chega às consolas em exclusivo para a Xbox é dirigida a quem já conhece a versão PC e deverá arrumar a questão e acalmar as ansiedades que possam existir. É apenas isto: Minecraft na Xbox continua a ser Minecraft. Sem precisar de forçar a aceitação nem de esquecer limitações.
Para quem não conhece o jogo, a tarefa será mais palavrosa e até algo inglória. Jogar Minecraft é daquelas atividades em que, por mais que alguém se esforce, a explicação nunca fará justiça à experiência. Talvez seja comparável a explicar a um visitante estrangeiro porque se comem tremoços e qual o método adequado de morder a casca e extrair o petisco. Começa por parecer um passatempo despropositado. Depois da explicação, a complexidade junta-se à falta de propósito. Mas, quase imediatamente após experimentar, tudo se torna perfeitamente claro e parar exige um imenso esforço de contenção.
Mesmo assim, feita a ressalva de que a única forma adequada de avaliar Minecraft será jogando, tentemos uma explicação.
Quando se inicia um novo jogo, encontramo-nos num mundo gerado aleatoriamente. Existem vários tipos de ambientes (florestas, pradarias, montanhas, desertos, pântanos...) e podemos mover-nos livremente por onde entendamos. A princípio, parece ser apenas isso e não é claro qual o objetivo ou se existirá um. Até descobrirmos que podemos esmurrar os elementos da paisagem e recolher materiais. Obtêm-se blocos de terra esmurrando o chão, blocos de madeira esmurrando árvores e assim sucessivamente. Os blocos recolhidos permitem construir estruturas e ferramentas que, por sua vez, permitirão recolher materiais de outro tipo e construir estruturas cada vez mais avançadas.
Mas não é tudo. Quando anoitece, grunhidos assustadores anunciam a chegada de monstros (mortos-vivos, aranhas gigantes, esqueletos arqueiros) que nos querem roer os pixels e dos angustiantes creepers, cujo principal propósito parece ser explodirem e destruírem tudo o que construímos. Em caso de tragédia, nada está perdido. Exceto, claro, todos os recursos que recolhemos e não guardámos numa arca em local seguro e todo o equipamento que transportávamos. Para evitar estes dissabores, é necessário construir um abrigo. Um buraco no chão, uma cabana de madeira, um iglu esquimó ou uma réplica à escala do Palácio de Buckingham, tudo será possível com o empenho adequado. Quando as coisas se tornam menos movimentadas à superfície, uma boa opção será construir minas a profundidades assombrosas (é até recomendável porque os materiais mais valiosos não se encontram à superfície) ou até fabricar um portal para uma dimensão paralela.
No entanto, apesar de estarmos perante uma cópia muito fiel da versão PC, algumas diferenças são inevitáveis. O sistema de crafting, por exemplo, é simplificado e adaptado ao controlador da consola. Em vez de ser necessário colocar os materiais numa grelha seguindo uma configuração específica, bastará possuí-los na quantidade adequada e a configuração ocorrerá de forma automática.
O tutorial é um acréscimo muito bem-vindo, evitando em grande parte o esforço de ler wikis para perceber o que fazer e como. Juntando a isto um sistema de dicas eficiente, a introdução do jogo a novos jogadores é um aspeto em que a versão Xbox bate o original por larga distância.
Outra alteração verifica-se no modo multiplayer que, além do jogo online, permite ainda que quatro jogadores em simultâneo utilizem o mesmo sistema com o ecrã dividido em quatro partes.
Apenas uma alteração motivará queixas: a inexistência do "modo criativo" que, no PC, permite construção livre com todos os materiais disponíveis em quantidade ilimitada, imunidade aos inimigos noturnos e a possibilidade de voar sobre a paisagem para facilitar deslocações, construções e para permitir apreciar melhor a obra criada. Mas, porque a versão adaptada à consola não é a versão mais atual jogável no PC e porque nos são prometidas atualizações futuras, é muito possível que essa e outras funcionalidades sejam implementadas no futuro.
Minecraft não é um jogo convencional. Não orienta o jogador, não o força a fazer isto ou aquilo. Assemelha-se mais a uma ferramenta que permitirá ao utilizador fazer o que bem entenda e aplicar livremente a sua criatividade. Apela a um lado aventureiro da natureza humana ao permitir explorar um mundo que sabemos ser único e criado propositadamente para nós. Exige esforço e recompensa-o de forma multiplicada. Puxa pela imaginação, motiva projetos e impele-nos a aumentar a sua complexidade de forma praticamente infinita. Avaliando pelo que pretende alcançar e pelo que consegue ser, o ponto que impede a classificação perfeita explica-se unicamente pela ausência do modo criativo.

Classificação: 
 

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