18.9.12

Darksiders II



Se, no Darksiders original, o jogador controlava a personificação da Guerra, nesta sequela, o protagonismo é transferido para outro dos Cavaleiros do Apocalipse, o ceifeiro sombrio cujo tenebroso dever é pôr fim às nossas existências mortais. Esqueçam o vulto esguio e esquelético coberto por uma túnica negra segurando a sua foice com falanges descarnadas. Substitua-se a figura clássica por uma versão revestida com musculatura abundante, com cabelo longo e ocultando uma face que se imagina pouco prazenteira atrás de uma máscara adequadamente sinistra. Em vez da simples alfaia agrícola, imaginem-se duas grandes foices de aparência assassina e uma arma secundária de dimensões colossais e chegar-se-á mais perto da versão que protagoniza Darksiders II.
A primeira coisa que se sente é uma incrível familiaridade e não necessariamente por se ter jogado também o primeiro título da série. Para começar, é difícil não sentir que o combate, com os seus movimentos exuberantes, armas gigantes e golpes finais sangrentos e vagamente sádicos, foi inspirado por God of War. As escaladas por paredes acima e as corridas por superfícies verticais parecem decalcadas de Prince of Persia, os puzzles têm qualquer coisa de Tomb Raider e a estrutura composta por área ampla percorrida a cavalo alternada com masmorras labirínticas cheias de portas trancadas e baús de tesouro faz lembrar Ocarina of Time. Sem esquecer que a possibilidade de embarcar numa corrida pela subida de nível da personagem e pela aquisição de equipamento cada vez mais eficaz facilmente encaixaria num qualquer dungeon crawler inspirado por Diablo.
Quer isto dizer que, pela manifesta falta de originalidade, Darksiders II deverá ser remetido para as profundezas infernais dos jogos que não merecem a atenção do jogador informado quando há tanta coisa apetecível para jogar? Nada disso e o motivo é muito simples. É que, apesar de se apresentar como esta manta de retalhos com fontes tão diversas, trata-se de um bom jogo. Mesmo sem ter praticamente nada de novo, a ação é fluida, apelativa ao olhar e perfeitamente satisfatória para os especialistas em massacrar botões e torcer manípulos. Os cenários estão bem concebidos, os inimigos movem-se e atacam de forma desafiante e a variedade de golpes é adequada, com algumas animações bastante conseguidas. Os gráficos são algo mortiços em termos cromáticos, apesar de encaixarem bem no espírito de desolação exigido pela história, e os modelos das personagens, ainda que bem construídos, com boa definição e com uma inclinação minimalista e grotesca (no melhor sentido) pecarão unicamente pela falta de personalidades mais apelativas. A música vai oscilando de qualidade, erguendo-se muitas vezes acima da linha do "discretamente empolgante" e não baixando demasiadas vezes abaixo dela, e o elenco de vozes ronda a excelência, com Michael Wincott revelando-se uma escolha perfeita para dar voz à morte.
A história poderia ter sido muito melhor e nem seria difícil ir um pouco mais além, partindo de premissa tão interessante: a morte decide vir em auxílio do seu irmão, a guerra, aprisionado pelo ligeiro deslize de ter aniquilado a humanidade. Mas não é isso que acontece. Em vez de uma narrativa memorável, temos um fio condutor que vai tocando sempre os pontos certos e que nunca deixa de ser perfeitamente coerente, mas que se arrasta demasiado e roça demasiado o genérico e o previsível. Juntando a isto, a falta de variedade nas armas e armaduras que se vão colecionando (que, basicamente, são variações dos mesmos modelos apenas com ligeiras mudanças cosméticas) e um sistema de menus que poderia ser muito mais apelativo e funcional e completa-se o retrato de um jogo que combina elementos de sucesso comprovado por jogos mais ambiciosos e consegue fundi-los, proporcionando uma experiência bastante positiva e com durabilidade considerável. Se era esse o objetivo, calem-se as críticas de falta de ambição e louve-se o espírito pragmático.

Classificação: 

 

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