The Amazing Spider-Man
é um dos melhores jogos criados para capitalizar o sucesso de blockbusters nos últimos anos. Também
será, sem grande esforço, um dos melhores de sempre. Isto não significa que
seja inesquecível. Significa apenas que, infelizmente, a concorrência é
medíocre. Também é curioso constatar que na lista reduzida de adaptações com
qualidade, há pelo menos outro jogo inspirado por uma aventura anterior do
Homem-Aranha no grande ecrã (Spider-Man 2
de 2004). Talvez o herói aracnídeo seja particularmente dotado para
protagonizar jogos. Ou talvez seja porque ambos foram publicados pela Activision. A solução do mistério terá
de ficar para outro momento.
A narrativa do jogo inicia-se onde foi deixada no filme. E
aqui deve ser feito um aviso. Quem não tiver visto o filme, perceberá logo nos
primeiros minutos de cutscenes o
destino do vilão, o transtornado Dr. Curt Connors que se transforma no
monstruoso Lizard quando tenta recuperar o seu braço amputado, e também a
evolução do relacionamento entre Peter Parker e Gwen Stacy. Talvez se esperasse
um pouco mais de cuidado ou mesmo um autocolante de bom tamanho advertindo para
os spoilers contidos no interior.
Faltas de jeito à parte, a mecânica de jogo é bastante
familiar. Para desvendar os planos malévolos da Oscorp, cujo novo cabecilha pretende criar mais mutantes com
caraterísticas animais, o Homem-Aranha infiltra-se nas instalações da empresa
sinistra, onde se sucedem sala após sala contendo inimigos que deverão ser
neutralizados por confronto direto ou de forma mais discreta através de ataques
cirúrgicos a partir de recantos sombrios. No combate propriamente dito, um
botão aplica golpes (que vão variando sem grande intervenção do jogador), outro
esquiva de ataques inimigos quando tilinta o sentido de aranha e um outro
dispara as inevitáveis teias. Isto não quererá dizer que estejamos perante um
clone descarado de Arkham Asylum com
um novo super-herói como protagonista, mas não faltará muito. No entanto,
apesar da falta de originalidade, a adaptação adequa-se muito bem a este novo
universo.
Quando não se move pelas condutas de ventilação de um armazém
pouco arejado, o Homem-Aranha desloca-se livremente por uma recriação de
Manhattan, balouçando de teia em teia da forma que todos os fãs esperariam. É
nestes momentos open world que o jogo
mais brilha, apesar dos gráficos nada impressionantes e mesmo que, muitas
vezes, se torne mais agradável o simples movimento livre pela cidade do que levar
a cabo as missões secundárias espalhadas em redor, que são demasiado simplistas
e repetitivas. Como bosses, um
sortido aprazível de vilões retirados da galeria de antagonistas do herói, todos
com inspiração animal (para permitir a adaptação ao espírito da história).
Estão lá nomes como os de Rhino, Scorpion, Black Cat, Vermin ou Iguana, mas sem
sinais de Vulture, um nome de maior peso também com particularidades e nome de
animal, possivelmente poupando-o para desenvolvimentos nos filmes ou jogos que
se seguirão.
Como qualquer jogo open
world que se preze, há itens mais ou menos escondidos a premiar os
exploradores empenhados. A possibilidade de destrancar outros trajes inspirados
por filmes anteriores ou pelo material de origem é apetitosa, mas o que mais
fará salivar os admiradores serão, sem dúvida, as revistas reais em formato
digital, contendo momentos marcantes da história da personagem, que podem ser
colecionadas e lidas dentro do jogo.
Com gráficos banais, jogabilidade decalcada em grande parte
de Arkham Asylum, controlos
funcionais e um elenco de vozes que consegue substituir com mérito os atores do
filme, The Amazing Spider-Man provoca
uma mistura de sentimentos. Porém, o agrado pelo resultado final eficaz e
divertido acaba por se sobrepor aos aspetos mais negativos.
Classificação:
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