18.7.12

The Amazing Spider-Man

The Amazing Spider-Man é um dos melhores jogos criados para capitalizar o sucesso de blockbusters nos últimos anos. Também será, sem grande esforço, um dos melhores de sempre. Isto não significa que seja inesquecível. Significa apenas que, infelizmente, a concorrência é medíocre. Também é curioso constatar que na lista reduzida de adaptações com qualidade, há pelo menos outro jogo inspirado por uma aventura anterior do Homem-Aranha no grande ecrã (Spider-Man 2 de 2004). Talvez o herói aracnídeo seja particularmente dotado para protagonizar jogos. Ou talvez seja porque ambos foram publicados pela Activision. A solução do mistério terá de ficar para outro momento.
A narrativa do jogo inicia-se onde foi deixada no filme. E aqui deve ser feito um aviso. Quem não tiver visto o filme, perceberá logo nos primeiros minutos de cutscenes o destino do vilão, o transtornado Dr. Curt Connors que se transforma no monstruoso Lizard quando tenta recuperar o seu braço amputado, e também a evolução do relacionamento entre Peter Parker e Gwen Stacy. Talvez se esperasse um pouco mais de cuidado ou mesmo um autocolante de bom tamanho advertindo para os spoilers contidos no interior.
Faltas de jeito à parte, a mecânica de jogo é bastante familiar. Para desvendar os planos malévolos da Oscorp, cujo novo cabecilha pretende criar mais mutantes com caraterísticas animais, o Homem-Aranha infiltra-se nas instalações da empresa sinistra, onde se sucedem sala após sala contendo inimigos que deverão ser neutralizados por confronto direto ou de forma mais discreta através de ataques cirúrgicos a partir de recantos sombrios. No combate propriamente dito, um botão aplica golpes (que vão variando sem grande intervenção do jogador), outro esquiva de ataques inimigos quando tilinta o sentido de aranha e um outro dispara as inevitáveis teias. Isto não quererá dizer que estejamos perante um clone descarado de Arkham Asylum com um novo super-herói como protagonista, mas não faltará muito. No entanto, apesar da falta de originalidade, a adaptação adequa-se muito bem a este novo universo.
Quando não se move pelas condutas de ventilação de um armazém pouco arejado, o Homem-Aranha desloca-se livremente por uma recriação de Manhattan, balouçando de teia em teia da forma que todos os fãs esperariam. É nestes momentos open world que o jogo mais brilha, apesar dos gráficos nada impressionantes e mesmo que, muitas vezes, se torne mais agradável o simples movimento livre pela cidade do que levar a cabo as missões secundárias espalhadas em redor, que são demasiado simplistas e repetitivas. Como bosses, um sortido aprazível de vilões retirados da galeria de antagonistas do herói, todos com inspiração animal (para permitir a adaptação ao espírito da história). Estão lá nomes como os de Rhino, Scorpion, Black Cat, Vermin ou Iguana, mas sem sinais de Vulture, um nome de maior peso também com particularidades e nome de animal, possivelmente poupando-o para desenvolvimentos nos filmes ou jogos que se seguirão.
Como qualquer jogo open world que se preze, há itens mais ou menos escondidos a premiar os exploradores empenhados. A possibilidade de destrancar outros trajes inspirados por filmes anteriores ou pelo material de origem é apetitosa, mas o que mais fará salivar os admiradores serão, sem dúvida, as revistas reais em formato digital, contendo momentos marcantes da história da personagem, que podem ser colecionadas e lidas dentro do jogo.
Com gráficos banais, jogabilidade decalcada em grande parte de Arkham Asylum, controlos funcionais e um elenco de vozes que consegue substituir com mérito os atores do filme, The Amazing Spider-Man provoca uma mistura de sentimentos. Porém, o agrado pelo resultado final eficaz e divertido acaba por se sobrepor aos aspetos mais negativos.

Classificação: 

 

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